Como sabemos o dinheiro não dá em árvores, mas resulta no suor escorrido do trabalho árduo, consequência de um esforço intenso bem direcionado e que vai culminar na satisfação de um objetivo alcançado.
Quando Adão e Eva foram convidados a deixar o grande hotel do universo, tudo o que levaram consigo foi dois pares de mãos com as quais começaram tudo o que hoje temos e desfrutamos. Mãos essas que transformaram tudo, a começar pelo primeiro abrigo, quando a intensidade do sol fez com que Adão, que não estava acostumado a tanta luminosidade, levantasse uma das mãos em direção ao sol para se abrigar da avalanche de claridade.
Aquelas mãos foram, aos poucos, transformando tudo de forma a acomodar as suas necessidades dentro dos seus interesses imediatos, sempre com as mãos marcadas pelo uso da terra, da água, do fogo e do ar.
Apesar dos métodos laborativos terem vindo a se aprimorar, cada vez mais, os sinais das ações transformadoras sempre ficam nas mãos, daqueles que as utilizam, por meio da aspereza calosa que é a consequência do uso intenso das mãos no trabalho. Sujar as mãos, quando se trabalha, não é feio, muito menos depreciativo. Os padeiros, mecânicos, pedreiros, professores, cirurgiões dentre outros profissionais, sujam as mãos no exercício de suas atividades legais e de baixa remuneração financeira.
Atividades altamente rentáveis financeiramente, com frequência se utilizam de mecanismos legais, porém nem sempre morais! Promover um grande evento internacional, no país, não é ilegal, não suja as mãos, mas proporciona, sim, dinheiro sujo para uma atividade limpa. Sujo porque advém de expedientes sub-reptícios que mascaram a realidade.
Felizmente, grandes volumes de recursos pecuniários nas algibeiras ou contas bancárias, sem que as mãos contenham sinais de qualquer forma de esforço legal, ficando maculadas por atividades que mereçam inveja ou orgulho do empenho, não são mais sinais de respeitabilidade profissional. Circunstâncias como essas não passam mais despercebidas! A sociedade desenvolveu mecanismos que não aceitam mais grandes massas financeiras circulando por mãos inadequadas e despreparadas, até porque, pessoas preparadas se servem de mecanismos apropriados que transportam grandes volumes financeiros sem que haja uma única cédula monetária em uma transação de negócios.
Mãos sujas jamais trazem dinheiros sujos.