
A morte de um menino de cinco anos em Januária, no Norte de Minas, está sendo investigada pela Polícia Civil sob suspeita de agressão. O caso veio à tona após profissionais de saúde desconfiarem das circunstâncias apresentadas pela mãe da criança, que afirmou que o filho teria passado mal após ingerir carne estragada.
Segundo a investigação, o menino foi levado a uma unidade de saúde na noite de domingo (26), mas já teria chegado sem sinais vitais. Durante o atendimento, lesões observadas no corpo da criança levantaram suspeitas e motivaram o acionamento da Polícia Militar, que registrou a ocorrência.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, indícios preliminares apontam que a morte não teria sido causada por intoxicação alimentar ou acidente doméstico, como alegado inicialmente. A suspeita é de que o menino tenha sido vítima de violência.
Conforme a apuração, a criança apresentava hematoma no rosto, escoriações na região abdominal e sinais de possíveis agressões anteriores. A versão apresentada pela mãe também passou a ser questionada pela polícia, especialmente pelo intervalo de mais de 10 horas entre o momento em que o garoto teria começado a passar mal e a procura por atendimento médico.
Ainda segundo a investigação, testemunhos iniciais indicam que o menino poderia ter sido agredido ainda durante a tarde do mesmo dia. A polícia também apura relatos de que a criança vivia em um ambiente marcado por episódios recorrentes de violência física e psicológica.
A necropsia preliminar apontou como causa da morte choque séptico secundário a abdome agudo. No entanto, o laudo inicial também indicou sinais de violência externa, e a polícia aguarda o resultado definitivo dos exames para esclarecer se o quadro foi provocado por trauma ou outra ação violenta.
Moradores, vizinhos e pessoas ligadas ao convívio da criança começaram a prestar depoimentos e relataram à polícia que o menino sofreria agressões frequentes. Alguns relatos mencionam ainda que ele era impedido de brincar com outras crianças e costumava ser ouvido chorando.
A mãe da criança deverá ser ouvida formalmente nos próximos dias. Segundo a Polícia Civil, ela possui registros anteriores de ocorrências envolvendo furto, ameaça e violência contra criança e adolescente, informação que também integra a linha de investigação.
O caso provocou comoção na cidade. Revoltados com a morte do menino, moradores depredaram a casa onde a família vivia. Após o episódio, os pais deixaram o imóvel.
A Polícia Civil segue com as investigações e trabalha para esclarecer as circunstâncias da morte e eventual responsabilização dos envolvidos.