
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), deve deixar oficialmente o cargo no dia 22 de março para se dedicar à pré-campanha à Presidência da República. A decisão ocorre duas semanas antes do prazo limite de desincompatibilização, exigido pela legislação eleitoral para ocupantes de cargos do Poder Executivo que desejam concorrer a outros postos. A informação foi confirmada por fontes próximas ao governador.
De acordo com a legislação, a medida tem como objetivo evitar o uso da máquina pública em benefício de candidaturas e garantir maior equilíbrio na disputa eleitoral. Com base no calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o afastamento deve ocorrer seis meses antes do primeiro turno das eleições, prazo que Zema cumprirá rigorosamente.
Durante sua ausência, o governo de Minas será assumido pelo vice-governador Mateus Simões (Novo), que permanecerá no cargo até o fim do mandato, em 31 de dezembro deste ano.
Reeleito em 2022 com ampla margem, Zema tenta agora transformar seu capital político em viabilidade nacional. Segundo fontes do partido, a pré-campanha busca consolidar um discurso capaz de dialogar com diferentes regiões do país, mantendo a imagem de gestor eficiente, característica que marcou seus dois mandatos em Minas.
Oficializado como pré-candidato do Novo em agosto de 2025, Zema se posiciona como alternativa ao bolsonarismo tradicional, mantendo diálogo com setores conservadores. Em evento que confirmou sua pré-candidatura em São Paulo, ele criticou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, classificou a eleição de 2026 como decisiva para o país e defendeu o enfrentamento ao “lulismo”, além de criticar o que chamou de “parasitas do Estado” e associar a crise institucional ao avanço de facções criminosas.
Nos bastidores, a campanha do governador tem focado em gestão, combate a privilégios e eficiência do Estado, pilares que marcaram sua trajetória em Minas. A prioridade da pré-campanha, segundo interlocutores, é expandir a mensagem além das fronteiras mineiras, apresentando Zema como um gestor capaz de replicar nacionalmente o modelo de administração do estado, baseado em ajuste fiscal, atração de investimentos e reorganização administrativa.
Apesar de usar intensamente redes sociais, Zema mantém o contato direto com eleitores por meio de agendas regionais, visitas a cidades fora do eixo tradicional do poder e encontros com lideranças locais. A campanha, segundo fontes, não deve adaptar seu discurso de forma significativa às diferentes regiões, considerando que os problemas apontados pelo eleitorado — como alta carga tributária, serviços públicos ineficientes e baixa capacidade de investimento do Estado — são comuns em todo o país.
Pesquisas recentes, no entanto, apontam baixo conhecimento de Zema fora de Minas. O levantamento Genial/Quaest, divulgado nesta semana, indica que o governador possui apenas 2% das intenções de voto no primeiro turno. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre os dias 8 e 11 de janeiro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Apesar das especulações, Zema reafirmou publicamente que não pretende ser vice de nenhum candidato. Na última segunda-feira (12), ele negou a possibilidade de integrar uma chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hipótese aventada por aliados do ex-presidente.
“Eu sou pré-candidato à Presidência, como já foi anunciado no ano passado, e continuo com a pré-candidatura até o final”, declarou Zema durante agenda oficial em Minas Gerais.
Nos bastidores, Flávio Bolsonaro comentou sobre a possibilidade de uma aliança, mas ressaltou que a definição do vice será anunciada apenas na reta final da campanha. “Vice é a última coisa que a gente resolve. As conversas estão acontecendo, mas estratégia política não se anuncia”, disse.
Com o afastamento de Zema do governo, o cenário eleitoral em Minas e no país começa a ganhar contornos mais claros, enquanto o governador se prepara para percorrer o Brasil apresentando seu projeto nacional.