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Coronavírus: é preciso responsabilidade

O coronavírus tem feito surgir diversos boatos e fake news em todo o mundo.

18/03/2020 às 10h21 Atualizada em 18/03/2020 às 10h31
Por: Carlos Oliveira
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Imagem da internet
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A pandemia causada pelo coronavírus tem feito surgir diversos boatos e fake news em todo o mundo. A falta de informação, empatia ou mesmo de responsabilidade tem levado muitas pessoas a disseminarem informações desencontradas, conturbando ainda mais uma sociedade que já está amedrontada. Diante disso, farei uma análise do que é fato e do que é boato.

Fato: O coronavírus é uma ameaça real e pode ser fatal. Este vírus faz parte de uma grande família viral, conhecida desde meados de 1960, e que, em dezembro de 2019, reapareceu na China. Em pouco tempo, o vírus se alastrou por todos os continentes virando uma pandemia (enfermidade, epidêmica amplamente disseminada). Ele causa uma doença batizada de covid-19, uma infecção respiratória que começa com sintomas como febre e tosse seca e, ao fim de uma semana, pode provocar falta de ar. Cerca de 80% dos casos são leves, e 5%, graves. No mundo todo, milhares de pessoas já morreram em decorrência dessa infecção respiratória causada pelo vírus.

No Brasil, já foi confirmado centenas de casos da doença e há, pelo menos, uma morte confirmada até esta data (17/03). Até esta mesma data, não houve casos confirmados em Paracatu, apenas boatos.

Dito isto, vamos aos boatos e fake news sobre a pandemia. É um evento apocalíptico? Circula nas redes sociais a tese de que esse vírus é previsto e mesmo necessário para ‘endireitar’ a humanidade pecaminosa. Quanto a isso, é preciso salientar que nem mesmo entre os teólogos mais literalistas tal pensamento é levado a sério. É opinião quase unânime entre os ‘especialistas dos últimos dias’ que uma coisa nada tem a ver com a outra. No entanto, nada impede que você pense assim, até porque é uma questão de fé, desde que esse livre exercício de pensamento e crença não coloquem a vida de outras pessoas em perigo.

Foi o que aconteceu recentemente em São Paulo, quando um suposto ‘bispo’ anunciou na tv e na internet a imunização dos fiéis por meio da ‘unção’ com óleo e da oração. Neste caso específico, o irresponsável e apático ‘bispo’ teve que prestar esclarecimentos na delegacia, por supostamente estar praticando charlatanismo, ou ainda crime contra a saúde pública, cuja pena pode chegar a 8 (oito) anos de reclusão e multa.

Há ainda aqueles que (bem intencionados) dizem: “Mas Deus nos mandou curar os enfermos. Nos mandou profetizar sobre os doentes”. A estes eu digo: Lembrem-se que ele também falou: “Todavia, o profeta que ousar dizer em meu nome alguma palavra que não lhe ordenei, terá de ser morto”. E mais ainda: “Cada qual seja submisso às autoridades constituídas, porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram instituídas por Deus”, ou seja, as pessoas são livres para crerem no que quiser, mas elas devem assumir as consequências das suas ações. Se usaram indevidamente o nome de Deus, responderão a ele. Mas, se descumprirem as leis das autoridades terrenas e suas determinações legais, responderão a estas, cuja pena é paga aqui na terra e geralmente com prisão.

É importante também falar um pouco sobre as informações oriundas da falta de empatia ou pelo desejo de obter mais curtidas que movem algumas pessoas e mídias. Disse aos meus alunos esta semana e repito aqui: Só há uma autoridade legalmente autorizada a falar sobre casos de infecção pelo vírus em Paracatu, isto é, a Secretaria de Saúde. Portanto, quem quiser informação segura deve procurar a pasta pelas suas plataformas digitais (paracatu.mg.gov.br/saude), pelo site da prefeitura (paracatu.mg.gov.br/), ou ainda pelo telefone: (38) 3671.3555. Às pessoas que compartilham tais informações falsas, saliento que podem estar cometendo crime, e mais do que isso, estão colocando uma população já preocupada em um iminente estado de desespero. Além é claro, de exporem em risco ainda maior a população impedindo-a de ter acesso aos fatos.

Por fim, fazendo uso de um princípio religioso, haja vista sermos uma população marcadamente cristã, precisamos praticar uma fé seguida de obras, sobretudo das obras que são acessíveis a todos nós brasileiros, isto é: a empatia; o amor ao próximo; o equilíbrio; a sensatez; a vigilância; o exemplo e a solidariedade. Devemos, a exemplo do que nos recomendou Tiago em seu livro: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: ‘cuidar’ dos órfãos e das viúvas ‘idosos’ nas suas tribulações”, olhar e velar pelos idosos e pelas pessoas vulneráveis, não lhes negando o sagrado direito à saúde e à medicina. “Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes”, disse Jesus.

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