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Paradas industriais custam até R$ 700 mil por hora

Especialista da RCF Serviços Industriais explica que o prejuízo de interrupções não planejadas ultrapassa o custo de reparo, atingindo até R$ 700 m...

Paulo Sérgio
Por: Paulo Sérgio Fonte: Agência Dino
21/07/2026 às 10h00
Paradas industriais custam até R$ 700 mil por hora
Divulgação

Ricardo Fernandes, especialista em preservação e recuperação de ativos industriais e representante da RCF Serviços Industriais, analisou o impacto financeiro das paradas não planejadas na indústria. Levantamentos realizados pela ABB em parceria com a Sapio Research e pela Vanson Bourne mensuraram perdas de até R$ 700 mil por hora no Brasil e US$ 260 mil por hora em média no cenário internacional.

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Os dados indicam que mais de dois terços das empresas industriais enfrentam interrupções não programadas ao menos uma vez por mês. As paradas afetam a produção, a logística, a mobilização de equipes emergenciais e o planejamento operacional, gerando custos que vão além do reparo técnico do equipamento.

Segundo o levantamento da ABB, o custo médio de uma interrupção chega a aproximadamente R$ 700 mil por hora. A pesquisa da Vanson Bourne, focada em fabricantes globais, estima perdas médias de US$ 260 mil por hora de inatividade não programada. Esses números evidenciam a relevância econômica das falhas inesperadas.

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Fernandes afirma que a maioria das paradas não planejadas resulta da soma de pequenas degradações negligenciadas ao longo do tempo, como corrosão, desgaste acelerado, vazamentos e perda de espessura em tubulações. "Na maior parte dos casos, as paradas não planejadas acontecem pela soma de pequenas degradações negligenciadas ao longo do tempo", explicou o especialista.

Ele destaca ainda que especificações inadequadas de materiais e estratégias de manutenção centradas apenas na correção de falhas contribuem para a recorrência desses eventos. Setores como óleo e gás, mineração, fertilizantes e energia são particularmente vulneráveis, pois uma falha localizada pode desencadear efeitos em cadeia sobre a produção e a segurança operacional.

Os custos indiretos incluem perda de produção, descarte de produtos, redução da eficiência, atrasos nas entregas e a necessidade de mobilizar recursos emergenciais. Quando equipes de manutenção são desviadas para emergências, intervenções preventivas são postergadas, aumentando a probabilidade de novas falhas.

"Em algumas operações, principalmente offshore e em processos contínuos, o custo da indisponibilidade pode ser muito superior ao custo técnico da intervenção", afirma Fernandes.

A percepção da indústria tem mudado: cada vez mais empresas reconhecem que o prejuízo de uma parada ultrapassa a manutenção corretiva e afeta metas de produção, cronogramas de entrega, indicadores de desempenho e a competitividade do negócio.

Para reduzir a frequência de interrupções, Fernandes recomenda decisões antecipadas nos estágios iniciais de degradação, com especificação correta de materiais, proteção contra corrosão, análise das condições reais de operação e planejamento de manutenção baseado na criticidade dos ativos. Tecnologias consolidadas, como reparos compósitos, soluções aplicadas a frio, sistemas anticorrosivos e dispositivos mecânicos de contenção, podem minimizar o impacto operacional quando adotadas preventivamente.

A integração entre manutenção, suprimentos e operação é essencial. Muitas empresas ainda tomam decisões isoladas, focando apenas no custo imediato de materiais e serviços, sem considerar o custo total do ciclo de vida dos ativos.

"O que normalmente falta é uma visão integrada de confiabilidade, análise do custo do ciclo de vida dos ativos e uma cultura de prevenção baseada em criticidade", destaca Fernandes.

A mudança de mentalidade transforma a manutenção de um centro de custo para uma ferramenta estratégica de preservação operacional. O objetivo passa a incluir a redução da imprevisibilidade, a extensão da vida útil dos equipamentos e o aumento da confiabilidade dos sistemas.

"A indústria está percebendo que o custo mais relevante não é o do reparo, mas o da parada. As decisões técnicas do presente determinam a disponibilidade operacional do futuro", conclui o especialista.

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