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Robótica torna-se obrigatória nas escolas a partir de 2026

A Resolução CNE/CEB nº 2/2025 e a BNCC Computação exigem que, a partir de janeiro de 2026, todas as escolas brasileiras incluam pensamento computac...

Paulo Sérgio
Por: Paulo Sérgio Fonte: Agência Dino
20/07/2026 às 11h25
Robótica torna-se obrigatória nas escolas a partir de 2026
Jailson Ferreira

A Resolução CNE/CEB nº 2/2025, complementada pela BNCC Computação, determina que, a partir de janeiro de 2026, todas as escolas brasileiras — públicas e privadas — incluam pensamento computacional, cultura digital e robótica em seus currículos. Jailson Ferreira da Silva explica que o não cumprimento implica a perda parcial da complementação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), conforme comunicado do Ministério da Educação em março de 2025, o que pressiona redes que ainda carecem de infraestrutura, formação docente e recursos financeiros.

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O impacto da medida se dá em duas frentes: pedagógica e fiscal. O novo Valor Aluno Ano com base em Resultados (VAAR) condiciona o repasse da complementação do Fundeb à comprovação de atualização curricular em Educação Digital e Midiática. Assim, a robótica deixa de ser opcional e passa a integrar o orçamento de manutenção das prefeituras.

Nos últimos doze meses, o país apresentou contrastes regionais. Enquanto Salvador (BA) sediou a RoboCup 2025 e a Olimpíada Brasileira de Robótica reuniu mais de 2 mil estudantes e 454 equipes na etapa nacional, diversas redes municipais ainda não dispõem de laboratórios, professores capacitados ou energia elétrica estável para operar kits de robótica.

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Dados do Ministério da Educação, divulgados em setembro de 2025 pela Estratégia Nacional Escolas Conectadas, indicam que 65% das escolas públicas brasileiras já possuem conectividade adequada, o que atende cerca de 23 milhões de estudantes. O restante ainda carece de conexão Wi‑Fi adequada para receber equipamentos de robótica.

A pesquisa TIC Educação 2024, do Cetic.br/NIC.br, revelou que 43% dos professores brasileiros utilizam inteligência artificial em sala de aula, porém, em grande parte, sem mediação pedagógica formal. O diagnóstico da Fundação Telefônica Vivo descreve a situação como "muita IA e pouca mediação".

Ronaldo Mota, físico especializado em IA na Universidade Federal do Rio de Janeiro, alerta que a introdução de robótica e IA nas escolas requer a revisão da formação docente e do conceito de aprendizagem, sob risco de ampliar desigualdades existentes. A União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) reforça que a BNCC da Computação demanda mais que a aquisição de kits: é necessária integração curricular, formação continuada e infraestrutura mínima.

Em São Paulo, a professora Débora Garofalo, reconhecida pela Varkey Foundation em 2026, desenvolveu um projeto que ensina robótica com materiais reciclados em escolas de periferia. O modelo, que prioriza a prática de erro, idealização e construção, tem sido adotado como alternativa de baixo custo frente ao alto preço dos kits proprietários.

Segundo Jailson Ferreira da Silva, no âmbito da inovação, a Educacional, unidade de negócios da Positivo, lançou em março de 2026 o Nexis, primeiro produto nacional que integra kits programáveis a modelos de linguagem generativa. Simultaneamente, a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (ICMC) iniciaram cursos gratuitos online de robótica e IA para professores da rede pública e criaram o primeiro mestrado profissional em ensino de computação do país.

Para os gestores, as prioridades de curto prazo incluem comprovar a adequação curricular até o final de 2026; mapear a infraestrutura mínima de cada escola; e priorizar a formação docente antes de qualquer aquisição em massa. Pesquisadores do ICMC/USP concluem que o principal gargalo no Brasil não é tecnológico, mas pedagógico e humano: sem professores capacitados, os kits de robótica permanecem como objetos decorativos.

Em 2026, a robótica deixa de ser exceção em escolas de elite para se tornar obrigação em todas as salas de aula do país. O desafio permanece em transformar a norma em prática efetiva, evitando que a medida se torne apenas mais um item legislativo sem implementação.

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