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Pausa nas ‘canetas’ faz pacientes reconsiderarem bariátrica
Obesidade é doença crônica e recidivante; médico especialista do Instituto Medicina em Foco alerta que a interrupção de medicamentos sem acompanham...
14/07/2026 14h10
Por: Paulo Sérgio Fonte: Agência Dino

Considerados avanços expressivos no tratamento da obesidade, os medicamentos análogos de GLP-1, como semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), proporcionaram novos caminhos para a perda de peso. Enquanto o uso dessas "canetas emagrecedoras" mais que dobrou entre 2022 e 2023 nos Estados Unidos, as cirurgias bariátricas caíram 25,6% no mesmo período, segundo estudo publicado no periódico científico JAMA Network Open.

No entanto, especialistas sugerem que o reganho de peso após a interrupção do uso pode começar a reverter esse movimento. Para o Dr. Rodrigo Barbosa, cirurgião bariátrico e idealizador do Instituto Medicina em Foco — clínica multidisciplinar de atendimento a pacientes com obesidade, doenças crônicas e populações em situação de vulnerabilidade —, o novo padrão já se percebe nos consultórios.

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"O fenômeno que observamos é o ‘choque de realidade’ pós-interrupção. Os análogos de GLP-1 são ferramentas fantásticas, mas impõem uma dependência biológica e financeira. Muitos experimentam uma perda de peso inicial significativa, mas, ao interromperem o uso, enfrentam um reganho de peso rápido e agressivo. Esse "efeito sanfona" gera uma frustração que reconduz o paciente ao consultório do cirurgião, agora com a convicção de que necessita de uma intervenção com mecanismos metabólicos mais profundos e duradouros", afirma.

A obesidade é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doença crônica, complexa e recidivante (ou seja, com tendência natural à recaída). Esse caráter é central para entender por que a suspensão de qualquer tratamento sem acompanhamento adequado, seja medicamentoso ou cirúrgico, pode resultar em reganho de peso.

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Publicada no periódico médico britânico The BMJ em janeiro de 2026, uma revisão sistemática da Universidade de Oxford confirma que pessoas tendem a recuperar peso rapidamente após interromper os medicamentos GLP-1, e de forma mais acelerada do que após o abandono de programas tradicionais de emagrecimento, como dieta e exercício. O mesmo estudo estima que cerca de metade dos pacientes com obesidade interrompem o uso desses medicamentos dentro de 12 meses.

A indicação cirúrgica após o uso de "canetas emagrecedoras" segue os critérios clínicos já estabelecidos: quando há falha no tratamento clínico (medicamentoso e comportamental) em pacientes com IMC acima de 35 kg/m², se associado a comorbidades, ou em pacientes com IMC acima de 40 kg/m², explica o cirurgião.

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"Especificamente após o uso de análogos de GLP-1, a indicação surge quando o paciente não atinge a meta de perda ponderal necessária para o controle de doenças como o diabetes tipo 2 e a esteatose hepática, ou quando a manutenção desse peso se torna insustentável sem a droga, comprometendo a saúde metabólica a longo prazo", completa.

Medicamento ou cirurgia: qual é a diferença metabólica?

Do ponto de vista do corpo humano, a diferença entre as duas abordagens é estrutural. Enquanto os medicamentos "imitam" o hormônio GLP-1 (que regula o açúcar e retarda o esvaziamento gástrico), a cirurgia bariátrica pode promover um "reboot" metabólico.

O procedimento altera o eixo intestino-cérebro, eleva a produção do GLP-1 natural e do PYY (que ativa a saciedade), além de reduzir drasticamente a grelina (o "hormônio da fome"). Além disso, a cirurgia altera a microbiota intestinal de uma forma que as drogas ainda não conseguem replicar, entregando um controle glicêmico muito mais robusto.

Ainda assim, para o Dr. Rodrigo, as abordagens não são inimigas, mas sim complementares. "Para perfis de obesidade leve, os medicamentos podem ser a solução definitiva, desde que o paciente consiga manter o uso crônico. Já para a obesidade moderada a grave, as canetas funcionam perfeitamente como uma ponte pré-operatória (para reduzir o risco cirúrgico) ou como um ajuste fino no pós-operatório tardio", informa.

Mesmo com toda a segurança e tecnologia atual, o Dr. Rodrigo Barbosa chama a atenção para o que define como a "medicalização da pressa". "O paciente pula de uma droga para outra e, quando cansa, quer a cirurgia como um ‘botão de reset’. A cirurgia não é a saída de emergência do remédio, mas sim a progressão lógica de uma linha de cuidado integrada", adverte.

Para o especialista, é a integração entre cirurgia, nutrição, psicologia e endocrinologia que pode garantir que o paciente aprenda a lidar com sua nova anatomia e não transfira o vício da comida para outras compulsões. Sem esse suporte, qualquer intervenção pode falhar no futuro, alerta.

Os limites do tratamento medicamentoso

Apesar dos resultados iniciais expressivos, a manutenção do tratamento com análogos de GLP-1 apresenta desafios práticos que têm levado pacientes a buscarem novamente os consultórios cirúrgicos. Segundo o médico, os principais obstáculos incluem:

Nesse contexto de desafios com a terapia crônica, a intervenção cirúrgica continua sendo apontada como uma alternativa para um controle metabólico duradouro. "Atualmente, os procedimentos contam com o apoio da cirurgia robótica e de novas tecnologias de grampeamento, recursos que têm o objetivo de reduzir complicações e tornar a recuperação mais rápida e segura", conclui Dr. Rodrigo Barbosa.

Para obter mais informações, basta acessar: https://emfoco.med.br/