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Vendas na era da IA: por que o humano ainda decide tudo
Pesquisa da Gartner com 645 compradores B2B revela que 69% preferem validar com um vendedor humano as informações geradas por IA. Com a automação v...
10/07/2026 21h30
Por: Paulo Sérgio Fonte: Agência Dino

A consultoria Gartner divulgou, em maio de 2026, os resultados de um levantamento realizado entre agosto e setembro de 2025 com 645 compradores B2B. O estudo buscou entender como a inteligência artificial (IA) influencia a tomada de decisão de compra e qual o papel ainda atribuído ao vendedor humano.

A pesquisa indica que 69% dos entrevistados preferem validar as informações geradas por IA com um vendedor antes de concluir a aquisição, evidenciando a manutenção do profissional de vendas como fonte de confiança em etapas críticas da negociação.

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Ao mesmo tempo, 67% dos compradores afirmam preferir uma experiência de compra sem a presença de um representante, e 70% declaram preferência por processos totalmente digitais e de autoatendimento. Apesar dessa tendência, 45% relataram ter utilizado IA generativa para reunir informações sobre fornecedores e produtos, consultando em média sete fontes distintas ao longo do processo.

Os dados também revelam percepções de risco: 51% dos participantes consideram mais provável encontrar informações enganosas em conteúdos gerados por IA, enquanto 49% apontam o mesmo risco em interações com vendedores.

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Segundo a Gartner, esses resultados sugerem uma mudança na função do vendedor, que passa de principal fonte de informação para agente de validação e de construção de confiança.

O uso de IA nas rotinas comerciais tem se expandido. Dados de mercado de 2025 mostram que 56% dos profissionais de vendas utilizam IA diariamente, grupo que tem o dobro de probabilidade de superar metas em comparação com quem não adota a tecnologia. A adoção de soluções de IA ativa cresceu de 24% em 2023 para 43% em 2025, e 81% das equipes comerciais já experimentam ou implementaram algum tipo de ferramenta de IA.

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Entre as aplicações mais difundidas estão as plataformas de inteligência de conversas, que transcrevem reuniões em tempo real, resumem pontos principais, registram tarefas no CRM e verificam a aderência ao roteiro comercial (playbook). O objetivo dessas ferramentas é reduzir o tempo dedicado a tarefas administrativas e permitir que o vendedor se concentre em atividades estratégicas.

Especialistas alertam, porém, que a padronização excessiva pode limitar a atenção do vendedor ao contexto apresentado pelo cliente. "A inteligência artificial foi criada para tornar o vendedor mais preparado e estratégico. O risco aparece quando o profissional segue o roteiro de forma rígida e ignora informações que o próprio cliente oferece sobre o contexto, os critérios de decisão e os agentes que influenciam a compra", afirma Diego Dalcolli, especialista em vendas B2B e autor de "O Desafiador das Vendas".

Análises de mais de 100 mil chamadas de vendas revelam que os profissionais de melhor desempenho falam, em média, 46% do tempo, permitindo que o cliente conduza a maior parte da conversa. A média geral do mercado é de 60% de tempo de fala do vendedor, chegando a 72% entre os de menor desempenho. Negociações bem‑sucedidas concentram entre 15 e 16 perguntas por reunião, número inferior ao registrado em negociações perdidas, que chegam a cerca de 20 perguntas, indicando que a qualidade da escuta tem maior peso que o volume de questionamentos.

"A tecnologia funciona como um copiloto, não como um piloto automático. O diferencial do vendedor está justamente naquilo que a máquina não faz: escutar em profundidade, interpretar o que não é dito e conduzir um diagnóstico", explica Dalcolli. "O erro comum é medir apenas se o roteiro foi cumprido, e não se o cliente foi, de fato, compreendido."

O especialista acrescenta que o tempo economizado com a automação de tarefas operacionais deve ser redirecionado para atividades de maior valor, como o mapeamento dos agentes de decisão dentro da empresa cliente, a compreensão dos critérios que orientam a compra e a construção de relações de confiança.

Em um cenário em que os compradores chegam às negociações mais informados e com acesso a múltiplas fontes digitais, a tendência apontada pelos pesquisadores é que o vendedor seja demandado principalmente nos pontos em que agrega valor único, atuando como referência para confirmar e interpretar as informações obtidas em canais digitais.