
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), fez duras críticas ao cenário político e institucional do país durante um pronunciamento público. Em sua fala, o chefe do Executivo mineiro afirmou estar falando “muito mais como um brasileiro indignado do que como governador”, ao comentar os acontecimentos recentes envolvendo autoridades no Brasil.
Segundo Zema, os fatos registrados nas últimas semanas são “estarrecedores” e demonstram, na avaliação dele, que algumas pessoas envolvidas nos episódios investigados estariam se colocando acima da lei.
Durante o discurso, o governador também defendeu que integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) possam ser responsabilizados caso irregularidades sejam comprovadas. Ele comparou a situação com os processos de impeachment que já atingiram presidentes da República no país.
“Se nós já tivemos dois presidentes da República afastados, que sofreram impeachment, na minha opinião já passou da hora, pelos fatos que assistimos nos últimos dias, de o mesmo acontecer com ministros do Supremo Tribunal Federal”, declarou.
O governador afirmou ainda que a situação pode prejudicar a imagem do Brasil no cenário internacional, citando queda em índices de transparência. Para ele, a percepção de impunidade gera desconfiança e afeta a credibilidade das instituições brasileiras.
Apesar das críticas, Zema ressaltou que a maioria dos magistrados brasileiros atua com responsabilidade. “A grande maioria dos magistrados, 99%, são pessoas corretas, que merecem o nosso respeito”, disse, acrescentando que uma minoria estaria prejudicando a imagem do Judiciário.
O governador também demonstrou estranhamento com o silêncio de entidades representativas da área jurídica, como associações de magistrados e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), diante das discussões recentes.
Ao final do pronunciamento, Zema afirmou que continuará defendendo investigações e responsabilização quando houver suspeitas de irregularidades. “Não pode existir mais nesse país os intocáveis”, afirmou.
Segundo ele, qualquer pessoa que exerça cargo público deve estar sujeita à lei e à fiscalização da sociedade. “Quem quer enriquecer, que vá para o setor privado. Não pode usar o cargo público para se aproveitar”, concluiu.