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Morre o barbeiro que moldou o topete do Rei Pelé
Amizade entre Didi e Pelé durou 66 anos
24/02/2026 17h35
Por: Da Redação Fonte: Agência Brasil

O mais famoso barbeiro da história do esporte brasileiro, João Araújo, o Didi, morreu nesta terça-feira (24), em Santos, no litoral paulista. Ele tinha 87 anos e ficou conhecido em todo o país por cuidar do cabelo do então jovem promissor Edson Arantes do Nascimento, que logo se consagraria mundialmente como Pelé, o Rei do Futebol.

A amizade entre Didi e Pelé durou 66 anos, até a morte do atleta , em 2022. Durante todo este tempo, e já vivendo longe de Santos, Pelé continuou visitando a barbearia de Didi sempre que ia à cidade.

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Conhecido pela simplicidade e pelo sorriso fácil, Didi gostava de contar a história de quando conheceu Pelé, então prestes a completar 15 anos e a estrear no Santos – com um gol contra o Corinthians de Santo André. O barbeiro também deixava a modéstia de lado para lembrar do topete que criou para o atleta e que, por muito tempo, foi moda entre os jovens do fim dos anos 1950, início da década de 1960. Segundo o jogador, a ideia do topete foi dele, para homenagear seu pai, o também jogador Dondinho, mas foi Didi quem a executou à perfeição, a ponto do corte ter se tornado um símbolo facilmente reconhecido.

Duas grandes coincidências ajudaram a cimentar a amizade: nascido em Rio Pardo de Minas, no norte mineiro, Didi chegou a Santos no mesmo ano que Pelé, que também era mineiro, de Três Corações.

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“Assim que Pelé chegou ao salão, ficou meio desconfiado, afinal eu também era muito novo. Ele perguntou se eu conseguia cortar o cabelo, deixando um topete. Eu respondi: “Vamos tentar!”. Se você gostar eu ganharei um cliente; se não gostar, pelo menos você terá um amigo”, contou Didi, segundo um artigo publicado no site do Santos, em 2018.

O sucesso do Rei fez o sucesso do barbeiro que assumiu as madeixas de outros craques do quase imbatível Santos Futebol Clube, como Coutinho, Pepe, Mengálvio e tantos outros atletas que frequentaram o modesto salão localizado diante do portão nº 6 do estádio Urbano Caldeira, no bairro da Vila Belmiro, em Santos.

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Em nota, o Santos lamentou a morte do “lendário” Didi. Em suas redes sociais, o ex-ponta esquerda do Santos e da seleção brasileira, Pepe (José Macia), comentou o falecimento “do nosso querido barbeiro”.

“Sua barbearia, ali ao lado da Vila Belmiro, nunca foi apenas um espaço de cuidado e vaidade. Era ponto de encontro de conversas animadas, risadas e amizades que atravessaram gerações”, escreveu Pepe, afirmando ficar a saudade “de um homem simples, generoso e sempre pronto para ouvir”.

A reportagem da Agência Brasil não conseguiu contato com parentes de Didi ou com o hospital onde ele faleceu. Segundo veículos de imprensa regionais, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória após passar por duas cirurgias. Seu velório aconteceu hoje, na Beneficência Portuguesa, e seu corpo foi cremado no Memorial Necrópole Ecumênica, também em Santos.