
Pacientes que sofreram lesão na medula espinhal e perderam movimentos do corpo passaram a contar com uma nova perspectiva de tratamento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início dos testes clínicos de um medicamento totalmente desenvolvido no Brasil, voltado à recuperação neurológica.
A pesquisa é resultado de décadas de estudo iniciadas em 1997 e lideradas pela cientista Tatiana Sampaio, professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Há cerca de três anos, a equipe aguardava o aval regulatório para avançar à fase clínica em humanos — autorização que foi oficialmente concedida nesta semana.
O anúncio ocorreu durante coletiva do Ministério da Saúde. Segundo o ministro Alexandre Padilha, o projeto representa um marco científico nacional por se tratar de uma tecnologia desenvolvida integralmente em universidade pública brasileira.
O medicamento é baseado na polilaminina, uma rede de proteínas produzida em laboratório a partir de material biológico. Essa estrutura é fundamental para a conexão entre neurônios, mas tende a se tornar escassa no organismo ao longo da vida.
Resultados preliminares, exibidos anteriormente em reportagem do Jornal Nacional, apontaram efeitos promissores: após a aplicação da substância em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos, seis apresentaram recuperação parcial de movimentos. Um dos casos mais expressivos foi o de um paciente paralisado do ombro para baixo que voltou a andar sem auxílio.
Com a autorização da Anvisa, o tratamento entra agora na fase inicial de testes clínicos. Nesta etapa, o foco será avaliar a segurança da substância e possíveis reações adversas.
Cinco pacientes com lesão completa da medula receberão uma única injeção de polilaminina até 48 horas após o trauma e serão monitorados por seis meses. Caso não haja efeitos graves, o estudo avançará para fases posteriores, que vão medir a eficácia do medicamento na recuperação motora.
Os pesquisadores avaliam que, se os resultados se confirmarem, o tratamento poderá futuramente ser expandido também para pessoas com lesões crônicas, aquelas ocorridas há meses ou anos,ampliando