A Polícia Militar atendeu neste sábado (20) uma ocorrência de violência doméstica com graves desdobramentos na zona rural do município, após uma denúncia apontar que uma mulher estaria sendo mantida em cárcere privado e sofrendo ameaças de morte por parte de seu companheiro.
A denúncia partiu de uma familiar da vítima, que relatou ainda que o agressor possuía diversas armas de fogo em casa, o que aumentava o risco à segurança da mulher.
A guarnição deslocou-se até o distrito de Rio dos Bois, onde localizou a vítima. Em conversa com os policiais, ela contou que convive com o autor há cerca de 30 anos e que tem sido, durante todo esse período, alvo de ameaças, agressões físicas e psicológicas. Por medo e receio de represálias, ela nunca havia registrado boletim de ocorrência.
Na ocasião, o autor teria insistido para que a mulher deixasse o local onde mora para acompanhá-lo até outra propriedade rural, localizada na comunidade do Cochá. Ao recusar, alegando que desejava trabalhar e permanecer na casa atual, a vítima foi ameaçada com a seguinte frase: “Se você for trabalhar e não for pro Cochá, eu acabo com você aqui”.
Após o relato da vítima sobre a presença de armas na casa, a polícia foi até o local com sua autorização e encontrou três armas de fogo, além de munições e materiais utilizados para recarga de cartuchos.
A mulher foi levada com segurança até a residência de sua mãe, na sede do município, para garantir sua integridade física e psicológica. Enquanto isso, outra equipe deu continuidade às buscas pelo autor, que havia fugido para destino ignorado.
Durante diligências nas imediações da residência do suspeito, os policiais o avistaram entrando no imóvel e realizaram a abordagem. Com ele, foi encontrada munição calibre .22. Na vistoria realizada na casa, foram apreendidas cinco armas de fogo, entre elas uma espingarda artesanal e outras de diferentes calibres, além de uma grande quantidade de munições e um molde de madeira usado na fabricação artesanal de armas.
Segundo apurado, o homem atuava como armeiro informal, realizando adaptações e manutenção de armas de fogo de forma clandestina, o que configura o crime de comércio ilegal de armas.
Diante das evidências, ele recebeu voz de prisão em flagrante pelos crimes de ameaça, posse ilegal de arma de fogo de uso permitido e restrito, e também por atividade clandestina ligada ao comércio de armas. O autor foi conduzido ao hospital para exame médico e, posteriormente, ao quartel da Polícia Militar para registro da ocorrência.
A mulher foi orientada sobre os direitos garantidos pela Lei Maria da Penha e demonstrou interesse em solicitar medidas protetivas de urgência, por temer pela própria vida. O caso foi encaminhado à Polícia Civil, que seguirá com as investigações.
Todo o material apreendido foi entregue à autoridade policial para as providências legais cabíveis.