
O dia internacional da mulher passou, entretanto, sabemos que o dia da mulher é todos os dias, pois a mulher não se limita e mostra a sua garra e força todos os dias. Em uma entrevista exclusiva, a subtenente da PM, Maria Cristina Cerqueira Barros, mais conhecida como Sargento Cristina, abre o coração e fala das dificuldades enfrentadas pela mulher no dia a dia e sobre a desigualdade de gênero.
A Subtenente da PM, Maria Cristina, de 49 anos, é natural de Paracatu, mas ingressou na Polícia Militar, no ano de 1992 na cidade de Uberlândia, onde entrou na escolinha militar no mês de abril, como soldado e fez um curso de nove meses em um ambiente totalmente masculino. Apesar de que já tinha algumas policiais femininas, pois em 1981 abriu vagas para policiais femininas em Minas Gerais.
Encontrei muita dificuldade, muito preconceito por ser mulher, tanto do público interno como externo, certa desconfiança de como seria o trabalho, mas hoje, eu tenho plena convicção que tanto a sociedade como a Polícia Militar, só tem a ganhar com o trabalho das mulheres na organização. - Disse Cristina.
De acordo com Cristina, as mulheres estão conquistando mais espaço em diversas áreas do mercado de trabalho, e a tendência é que esta conquista se propague cada vez mais, em todas as áreas, não só militar, mas em diversas áreas, como advogada, dentista, promotora, juíza e outros. E em áreas que antes eram predominantes para os homens, eu já vi mulheres nas funções de motoristas, soldador, mecânica e borracheira. Expandiu, a mulher conquistou seu espaço. - Pontuou.
Trajetória
Em 1992, ingressei como soldado em Uberlândia, até então, em uma terra desconhecida, fui pra lá fazer o curso e morar com a minha irmã, Maria de Lourdes, que já servia a Polícia Militar. Sou de família humilde, minha mãe Coracy Botelho Barros, hoje, com 89 anos, teve sete filhos e ficou viúva ainda muito nova, mas criou os sete filhos sozinha, e nenhum desandou para o lado ruim. Em 1994, fiz um curso quatro meses e meio para cabo da PM em Uberlândia, e pedi a transferência para Paracatu, porém, não tinha vaga na época, pois só tinha um quadro masculino, então eu fui transferida para Unaí, onde fiquei servindo na área administrativa e operacional. - Falou Cristina.
Já em 1997, abriu uma vaga para curso de sargento na cidade de Bom Despacho, não conhecia a cidade, mas fui pra lá com as malas e um filho de dois anos de idade. Fiquei lá quatro meses e meio, fiz o curso e consegui. Éramos no total de 30 militares e só tinha eu de mulher. Na época o comandante até me chamou e me deu o maior apoio. - Disse Cristina
Dificuldades e dedicação
A dificuldade era grande, ainda mais por ser mulher, enfrentar o trabalho e os afazeres de casa, a jornada era dupla. No ano de 1997, retornei para a cidade de Unaí,gravida de uma filha e em 2010,eu pedi a minha transferência para Paracatu, minha terra natal, onde estou até hoje. Cristina é casada com Jordane Dias e tem dois filhos, Hudson de 22 anos e Leticia de 19 anos.
O serviço militar como todos, exige uma total dedicação, disciplina e hierarquia, que, aliás, são os pilares da nossa instituição Polícia Militar. Gosto muito da minha profissão, já tenho tempo para sair e inclusive me aposentar, mas estou na fileira da corporação porque realmente gosto do que faço, gosto de servir a sociedade, e pra mim é um orgulho estar trabalhando em Paracatu, onde espero encerrar minha carreira, da melhor forma possível, continuando a minha profissão, desempenhando-a da melhor maneira possível; é claro que deixamos falhas, cometemos falhas, pois somos humanos, mas com as falhas, procuramos acertar também. - Afirmou a Subtenente.
Violência contra a mulher e as leis de proteção
Cristina falou sobre o alto índice de violência contra a mulher no município e disse que algumas mulheres se sujeitam a violência, por não levarem adiante a ocorrência contra o companheiro, às vezes por medo, ou porque o homem é quem sustenta a casa. A lei Maria da Penha é eficaz, entretanto, falta uma melhor orientação e um apoio maior, até mesmo do próprio município para as mulheres. - Ressaltou Cristina
“Deixo um abraço às mulheres brasileiras, o meu agradecimento a todas, e temos muitas coisas ainda para conquistar”. Finalizou
Cristina em sua trajetória, já recebeu vários reconhecimentos, honras ao mérito, e medalhas pelo trabalho desenvolvido, além de várias promoções, como a de 2017, quando foi promovida a subtenente.

