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Alunos visitam casa de recuperação de dependentes químicos em Paracatu

A iniciativa é da Escola Estadual Antônio Carlos, que busca alertar os jovens sobre os riscos das drogas e os seus efeitos.

Paulo Sérgio
Por: Paulo Sérgio Fonte: Texto e Fotos: Carlos Oliveira
29/08/2017 às 10h38
Alunos visitam casa de recuperação de dependentes químicos em Paracatu

“Cultivar e guardar a criação” foi o tema da aula extraclasse promovida pela Escola Estadual Antônio Carlos em parceria com a casa de ressocialização Liberta Paracatu, que há dez anos trabalha na recuperação de pessoas dependentes de álcool e outras drogas. O professor Carlos Oliveira, que também é teólogo e pós-graduado em políticas sociais, ministrou uma palestra sobre os perigos do “primeiro contato” com o álcool, o tabaco e demais drogas. “Geralmente, todo viciado psicodependente começou com um pequeno trago de cigarro, uma pequena dose de álcool e foi aumentando gradativamente para obter o “alívio” que exigem dosagens cada vez maiores. Portanto, a palavra de ordem é evitar o primeiro contato, e isso só pode ser alcançado com um trabalho conjunto, isto é, família, escola, ONG,s, igrejas e sociedade” disse o professor.

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Na oportunidade, um dos internos da casa, Wilson Ribeiro de Assis, 33 anos, testemunhou sua experiência de vida “Eu comecei usando cigarro. Depois fui incentivado pelos “amigos” a experimentar outras drogas e quando me dei conta já estava viciado, longe da escola, da família e da sociedade. É uma vida que não desejo pra ninguém, pois é muito humilhante, perdemos tudo o que temos, a saúde, o emprego, tudo. Por isso eu sempre digo: essa vida de escravidão não traz nada de bom, só leva” concluiu.

Foi também um momento de reflexão e consciência ambiental. Diante da profunda crise hídrica que passa Paracatu, os alunos visitaram o Rio Santa Isabel que abastece a cidade e viram a quase ‘morte’ do mesmo. Eles ouviram também uma explanação sobre a importância de se praticar o reuso de materiais que seriam despejados no lixo, como livros ultrapassados, e a tão escassa água. No tocante à isto, o professor Carlos Oliveira incentivou o uso de um ‘reservatório de água’ para reutilizar a água da máquina de lavar roupas. Um dos internos deu uma ‘mini aula’ de artesanato mostrando quanto coisa bonita pode ser feita com resto de papel, palito de picolé, etc. Veja fotos anexas.

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Outro momento muito importante foi a visita a horta, construída e cultivada pelos próprios internos que provê parte do sustento da casa. O coordenador da casa, Marcelo Pereira de Jesus, esclareceu que “com o trabalho na horta nós mais que suprimos parte do nosso alimento, resgatamos o valor do trabalho e do sentimento de partilha, pois o remanescente da colheita doamos para famílias carentes da cidade. Assim, nós de fato cultivamos e guardamos a criação” ressaltou.

Os alunos aplaudiram a iniciativa e se mostraram receptivos aos conselhos que receberam “Gostei muito desse passeio, aprendi muitas coisas boas com tudo que vi e ouvi. Quero levar sempre comigo esse aprendizado e repassá-lo para meus amigos e colegas” disse o aluno Lucas Cotrim, de 13 anos. 

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