Sexta, 10 de Julho de 2026
16°C 29°C
Paracatu, MG
Publicidade

Dois trabalhadores em condições análogas à escravidão são resgatados

Submetidos a jornadas de até 14 horas e privados de alimentação adequada, eles viviam em barracas de lona

Por: Flavia Moreira
10/09/2024 às 11h51
Dois trabalhadores em condições análogas à escravidão são resgatados
Polícia Militar

 Dois trabalhadores foram resgatados de uma carvoaria em Guimarânia, Minas Gerais, onde viviam em condições análogas à escravidão. A ação foi realizada na última segunda-feira feira, 09, por uma força-tarefa que envolveu o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Agência Regional do Trabalho de Patos de Minas (MTE) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Continua após a publicidade

A investigação constatou que os trabalhadores enfrentavam jornadas exaustivas de até 14 horas diárias, em um ambiente degradante. Eles estavam alojados em barracas de lona, sem acesso a água potável ou alimentação suficiente, e ainda enfrentavam descontos salariais indevidos. 

Mesmo sob condições desumanas, continuaram trabalhando por medo de não receber seus pagamentos.

Continua após a publicidade

"Os trabalhadores, oriundos de Montes Claros, cumpriam jornadas das 5h30 até às 18h, sem nenhum registro em carteira. Já estavam há mais de 30 dias sem receber salário, e as despesas de transporte e alimentação seriam descontadas," explicou o procurador do Trabalho, Hermano Martins Domingues.

Os próprios trabalhadores relataram que passavam fome pelo menos três vezes por semana e que, há dias, sobreviviam apenas com arroz e feijão. Segundo os auditores fiscais Deusdedit Rodrigues e Gustavo Pereira, as condições nos alojamentos eram deploráveis: "sem acesso a água potável, alimentos em quantidade adequada, ou saneamento básico, os trabalhadores estavam expostos a animais peçonhentos como escorpiões, cobras e ratos."

Além disso, as condições de segurança no local de trabalho eram inexistentes. Os dois homens operavam tratores e motosserras sem qualquer treinamento ou equipamento de proteção individual.

O empregador foi autuado e obrigado a pagar os salários devidos, as verbas rescisórias, formalizar os contratos de trabalho e custear as passagens de volta dos trabalhadores. As barracas de lona, usadas como alojamento, foram interditadas.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.