Geral Infraestrutura
Queimadas prejudicam mais de 54 mil clientes da Cemig nos primeiros sete meses de 2023
Companhia registrou 110 ocorrências no sistema elétrico provocadas por queimadas entre janeiro e julho deste ano
12/09/2023 14h30
Por: Da Redação Fonte: Secom Minas Gerais
Cemig / Divulgação

Além de causar danos irreparáveis ao meio ambiente e colocar em risco a fauna local, as queimadas também trazem outros prejuízos significativos para a população. Somente nos sete primeiros meses deste ano, os incêndios causaram interrupções no fornecimento de energia elétrica para mais de 54 mil clientes da Cemig , em um total de 110 ocorrências envolvendo a rede de distribuição da empresa. Para tentar conscientizar mais a população, a Cemig estendeu sua campanha sobre queimadas até o fim do próximo mês de outubro. 

No início desta semana, 380 clientes da Cemig, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, tiveram interrupção do fornecimento de energia em função de uma queimada em uma mata próxima do bairro Serra. O fogo danificou um equipamento da rede de distribuição, que precisou ser substituído em um local de difícil acesso.  

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Somente na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) foram registradas 28 ocorrências de queimadas, que prejudicaram quase 23 mil clientes. Apenas na capital mineira e no município de Betim, cerca de 17 mil consumidores da Cemig tiveram o fornecimento de energia interrompido em decorrência de incêndios até julho. 

As ocorrências de queimadas no sistema elétrico tendem a se intensificar no segundo semestre, pouco antes do período chuvoso. É importante destacar que provocar queimadas – além de deixar hospitais, comércios e escolas sem energia - pode ser considerado crime e levar à prisão. De acordo com o art. 41 da Lei 9.605/98, provocar incêndio em mata ou floresta é tipificado como crime ambiental, que pode resultar em pena de reclusão de dois a quatro anos, além de multa.  

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A técnica de supervisão e controle do sistema elétrico da Cemig, Suellen Karine Braga Vieira, explica que grande parte dos focos de incêndio é causada por ação humana. “Por isso, a companhia procura reduzir os desligamentos provocados por queimadas que atingem o sistema elétrico alertando a população a respeito dos riscos e consequências dessa prática, que é mais comum nesta época do ano, caracterizada por baixa umidade e vegetação seca”, explica.     

Cemig / Divulgação

Dificuldade de acesso prejudica atuação da Cemig  

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Ainda segundo Suellen Vieira, os equipamentos da rede elétrica, quando expostos às queimadas, têm seu funcionamento prejudicado, o que pode causar o desligamento de linhas de transmissão, de distribuição e subestações, bem como causar graves acidentes com pessoas que estão próximas a estas áreas. “Um dos maiores desafios para as equipes de campo é chegar ao local da ocorrência para fazer o reparo. Normalmente, são locais de difícil acesso e em áreas rurais muito amplas. Além disso, levar estruturas pesadas, como torres e postes, em áreas acidentadas, torna ainda mais desafiadora a manutenção das redes danificadas pelas queimadas”.  

A especialista da Cemig destaca que as queimadas podem prejudicar o fornecimento para hospitais e centros de saúde. "As chamas danificam equipamentos e tornam o restabelecimento mais demorado, o que pode trazer transtornos para todos. Além disso, o alto volume de fumaça pode trazer sérios danos à saúde, principalmente nesta época do ano em que doenças respiratórias são mais comuns. As pessoas precisam se conscientizar dos impactos causados por suas ações, pensar de forma coletiva e evitar dar início a focos de incêndio que podem tomar grandes proporções e causar grandes estragos”, alerta.  

Atuação preventiva e medidas de segurança

Para minimizar ocorrências deste tipo em sua área de concessão, a Cemig realiza, constantemente, ações preventivas, investindo na limpeza de faixas de servidão, com poda de árvores e arbustos, além da remoção da vegetação ao redor dos postes e torres. A companhia também realiza inspeções em suas linhas de transmissão, para identificar e mitigar riscos potenciais e tentar evitar ocorrências causadas por queimadas.      

Algumas medidas simples podem ser tomadas pela população para conter os riscos. As pessoas devem apagar com água o resto do fogo em acampamentos, para evitar que o vento leve as brasas para a mata, além de não jogar pontas de cigarros acesas na estrada ou em áreas rurais.   

Outra atitude consciente é não deixar garrafas plásticas ou de vidro expostas ao sol em áreas com vegetação, porque estes materiais podem criar focos de incêndio. Também existem restrições para a realização de queimadas mesmo quando permitidas por lei: não devem ser realizadas a menos de 15 metros de rodovias, ferrovias e do limite das faixas de segurança das linhas de transmissão e distribuição de energia. A Cemig lembra, ainda, que é proibido o uso de fogo em áreas de reservas ecológicas, preservação permanente e parques florestais.       

Em caso de incêndios, a Cemig (116) e o Corpo de Bombeiros (193) devem ser avisados o mais rápido possível. Vale destacar que todos podem denunciar a prática de queimadas ilegais, de maneira anônima, ligando gratuitamente para o telefone 181.  

Tecnologia contra queimadas 

A Cemig investe na tecnologia do projeto Apaga o Fogo!, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Por meio da plataforma on-line  www.apagaofogo.eco.br , que disponibiliza imagens em tempo real, a empresa e qualquer usuário voluntário podem identificar focos de incêndio em sua fase inicial. 

Essas imagens são processadas por algoritmos de inteligência artificial que podem validar – já no início – focos de fumaça, além de monitorar a evolução de um incêndio. A plataforma também permite a participação de internautas, que podem se cadastrar e auxiliar na identificação dessas queimadas. 

“Dessa forma, as áreas de preservação ambiental poderão ser supervisionadas 24 horas por dia, e ainda podem contar com uma ampla colaboração dos internautas. O objetivo do projeto é reduzir os registros de incêndio. Também vem para melhorar a qualidade dos serviços da companhia, por meio da redução das interrupções no fornecimento de energia elétrica causadas por incêndios próximos às redes de transmissão e distribuição da empresa”, explica o engenheiro de Transmissão da Cemig, Carlos Alexandre Meireles do Nascimento. 

Atualmente, o site Apaga o Fogo! monitora, em tempo real em caráter experimental, a Reserva Biológica da UFMG, por meio de câmeras instaladas no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-Tec), e a Mata Serra Verde, a partir de câmeras instaladas na Cidade Administrativa. A serra Rola Moça conta com seis pontos de monitoramento no site. A expansão dessa cobertura irá aproveitar a estrutura já existente nas linhas de transmissão e distribuição de energia para abrigar novas câmeras do projeto. No último feriado de 7/9, o Apaga o Fogo! Identificou uma queimada na Serra do Rola Moça, que poderia desligar linhas de transmissão e de distribuição da Cemig. Contudo, com o alerta e a ação rápida da brigada de incêndio, a estrutura da companhia não foi afetada.