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Projeto Liberta Paracatu com iminência de ser fechado pela justiça por irregularidades, busca mostrar a importância social da instituição em Paracatu

A comunidade hoje tem cerca de 15 pessoas internadas, os quais não sabem o seu destino caso ocorra o fechamento da instituição.

Paulo Sérgio
Por: Paulo Sérgio
16/10/2022 às 12h41 Atualizada em 16/10/2022 às 13h45
Projeto Liberta Paracatu com iminência de ser fechado pela justiça por irregularidades, busca mostrar a importância social da instituição em Paracatu
Divulgação / Projeto

O projeto Liberta Paracatu, que há mais de 15 anos, vem ajudando pessoas a se libertarem dos vícios das drogas e do álcool, está prestes a ser fechado pela justiça por apontamentos de irregularidades pelo Ministério Público. A comunidade hoje tem cerca de 15 pessoas internadas, os quais não sabem o seu destino caso ocorra o fechamento da instituição.

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Durante uma live transmitida nas redes sociais da associação, o fundador do projeto, Gilsomar, pede a promotora de justiça e ao prefeito de Paracatu, para não fechar a instituição.

De acordo com o Ministério Público (MPMG) no plano de trabalho da instituição consta equipe técnica, mas na prática não há atendimento especializado no local, nem psicólogos ou assistentes sociais. Sequer há funcionários, todo o serviço é realizado pelos próprios internos. A medicação fica acondicionada de forma irregular e em local inapropriado. As punições são físicas, como cavar buracos e depois tampá-los. Não há fortalecimento de vínculos com os familiares. Não há uma laborterapia direcionada, planejada. Tudo é livre e coordenado pelos próprios internos. Os internos reclamam da falta de alimentação. E percebe-se que internações involuntárias são realizadas no local”, aponta a promotora de Justiça de Paracatu Maria Constância Alvim. 

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Ainda de acordo com o MP, o próprio Município de Paracatu levou a informação ao Ministério Público que não aprovou as contas da associação. 

O fundador do projeto, se defendeu das acusações e disse que existe sim um cronograma para os recuperando, como laborterapia e outras atividades, e que a casa vive de doações, mas que o alimento não tem faltado. Gilsomar afirmou ainda que, realmente não tem profissionais na comunidade como manda a lei, por não estar recebendo os recursos do município.

Ainda em sua defesa, o fundador do projeto explicou que não existe punições para os internos da casa e que a comunidade terapêutica não faz internação compulsórias, uma vez que não é clinica de recuperação, mas comunidade terapêutica, onde os internos vão e permanecem por vontade própria. 

O projeto Liberta Paracatu, como tantas outras clinicas terapêuticas da cidade, tem um papel social importantíssimo no município e sem dúvidas, é um braço forte na ajuda para ressocialização de dependentes químicos.

Para uma família que tem um dependente químico, a luta é diária e travada para a recuperação deste familiar do submundo das drogas e para o seu retorno ao convívio social e familiar. Mães que choram pela perca do filho para as drogas e outras que não sabem aonde recorrer para pedir ajuda.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a dependência em drogas lícitas ou ilícitas é uma doença. Podemos dizer que realmente é uma doença cruel, maligna e que não só destrói o usuário, mas também toda a família.

A fé, tem sido usada como um apoio na ajuda destes dependentes químicos para uma recuperação eficiente. Como é o caso do Liberta Paracatu. A leitura da bíblia, os cultos e palestras no projeto, faz com que os recuperando possam fazer uma análise de vida, reconhecendo a necessidade de uma ajuda não só física, mas também espiritual.

A legalização das drogas em alguns países, acende a alerta de uma política antidrogas mais robusta e eficiente.

A legalização da cannabis em algumas partes do mundo tende a indicar um aumento do uso e dos impactos relacionados à saúde, de acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2022 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Lançado no dia 27 de junho de 2022, o documento (disponível em inglês) também revela um aumento recorde na fabricação de cocaína, expansão de drogas sintéticas para novos mercados e lacunas contínuas na disponibilização de tratamentos para usuários de drogas, especialmente para as mulheres.

De acordo com o relatório, cerca de 284 milhões de pessoas - na faixa etária entre 15 e 64 anos - usaram drogas em 2020, 26% a mais do que dez anos antes. Os jovens estão usando mais drogas, com níveis de uso em muitos países superiores aos da geração anterior. Na África e na América Latina, as pessoas com menos de 35 anos representam a maioria das pessoas em tratamento devido a transtornos associados ao uso de drogas.

Globalmente, o relatório estima que 11,2 milhões de pessoas no mundo estavam injetando drogas em 2020. Cerca da metade deste número vivia com hepatite C, 1,4 milhões viviam com HIV, e 1,2 milhões viviam com ambos.

Diante do atual cenário de crescimento do número de dependentes químicos no mundo inteiro, é de suma importância não só abertura de mais clínicas de recuperação, como também a manutenção e apoio mais maciço dos estados, municípios e outros órgãos. Claro, é de suma importância uma fiscalização para que clínicas e comunidades terapêuticas, estejam seguindo à risca, as normas e leis vigentes.

No caso do projeto Liberta Paracatu, é de suma importância que as autoridades busquem um consenso, para apoiar e ajudar a instituição a se adequar e ficar de acordo com as normas e leis vigentes, uma vez que a mesma, já retirou milhares de pessoas do submundo das drogas e as devolveu para o convívio da sociedade e da família.

O projeto criou uma campanha com os recuperando nas redes sociais, pedindo que a promotora e a prefeitura não feche o projeto Liberta Paracatu.

 
 
 
 
 
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