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Reforma do ser humano

Por: José de Paiva Netto

Paulo Sérgio
Por: Paulo Sérgio
09/12/2021 às 15h14 Atualizada em 09/12/2021 às 15h23
Reforma do ser humano

Ao trabalharmos pela erradicação da pobreza, promovendo prosperidade às populações, é essencial que primeiro modifiquemos a mentalidade dos seres humanos. Mas em que bases? Nas do Espírito, desde que não considerado uma simples projeção da mente. É preciso, antes de tudo, depositar plena confiança na capacidade das gentes. E mais: ver as criaturas com Boa Vontade, se quisermos formar cidadãos corretos, felizes, competentes, produtivos, em termos nacionais e planetários, proporcionando-lhes efetivas oportunidades. Devemos destacar suas virtudes e corrigir, com educação eficaz, aquilo que mereça acerto.

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Não se pede um repentino milagre — embora nada seja impossível —, mas, sim, o fortalecimento de um ideal que se estabeleça, etapa por etapa, até que se complete o seu extraordinário serviço. Eleanor Roosevelt (1884-1962), a notável presidente da Comissão dos Direitos Humanos na ONU, para definir com precisão essa espécie de bom embate, pessoal e coletivo, visando a um mundo melhor, afiançou: “Para alcançar a Paz, devemos reconhecer a verdade histórica de que já não podemos viver separados do resto do mundo. Devemos também reconhecer o fato de que a Paz, assim como a liberdade, não é obtida de uma única vez e em definitivo; é uma batalha diária por mais territórios e o resultado de muitos esforços individuais”.

Contudo, é preciso não perder de vista: liberdade sem responsabilidade e Fraternidade Ecumênica é condenação ao caos. E mais: a tão pretendida mudança estrutural deve contar com o poder da razão e com o melhor do sentimento da criatura. Caso contrário, ela continuará expressando a vontade nefelibata em que, por vezes, quase se transformou. Urge, pois, aliar mente e coração para atingir os nobres propósitos sob os auspícios das mais elevadas aspirações. Que fitem os olhos as alturas, mas convém que os pés no chão permaneçam firmados.

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Madame Curie (1867-1934) — Prêmio Nobel de Física de 1903 e de Química de 1911 —, que, com esforços e sacrifícios incontáveis, levou a Ciência a tantas conquistas, do alto de sua perseverança arrematou: “Jamais devemos sonhar em construir um mundo melhor sem o aperfeiçoamento dos indivíduos. Para esse fim, cada um de nós precisa trabalhar pelo próprio progresso e, ao mesmo tempo, compartilhar a responsabilidade geral por toda a humanidade”.

O renomado educador norte-americano Booker T. Washington (1856-1915) — primeiro presidente da lendária Escola de Tuskegee, que se dedicou a criar condições melhores de crescimento individual para os ex-escravos e seus descendentes e para os indígenas, pelos quais também trabalhou, a partir sobretudo da Educação — escreveu: “Não há defesa ou segurança para nenhum de nós a não ser na mais alta inteligência e no desenvolvimento superior de todos”. É evidente que isso, hoje, se aplica a toda a raça humana, o Capital de Deus, consoante seguramente desejava, na profundidade de seus anseios, o infatigável dr. Booker, cuja Alma vislumbrava um futuro em que o racismo, que considero um cancro social, não mais exista.

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor. [email protected] — www.boavontade.com

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