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Câncer de próstata acomete homens cada vez mais jovens

Alimentação ruim e estresse são duas das principais causas dos tumores

Paulo Sérgio
Por: Paulo Sérgio
06/05/2013 às 09h04
Câncer de próstata acomete homens cada vez mais jovens

Fonte:Otempo/Foto: NATÁLIA OLIVEIRA

Homens estão desenvolvendo o câncer de próstata cada vez mais jovens. É o que mostra levantamento feito em todo país feito pelo médico urologista mineiro Álvaro Luiz Barbosa de Morais. O especialista está, desde sábado, no Congresso Americano de Urologia, em San Diego, na Califórnia, nos Estados Unidos, onde apresenta os números. Em Minas Gerais, de acordo com o especialista, um homem de 34 anos teve a doença, comum em pessoas acima dos 50 anos.

O estudo foi feito com base nos pacientes de Morais e mostra que, nos últimos dez anos, houve um decréscimo na idade dos homens com a doença. Segundo o urologista, em 1992, o percentual da população entre 40 e 55 anos com o câncer era de 5%. Em 2012, subiu para 44%.
No início da década de 1990, não havia registro de pacientes com menos de 40 anos que tivessem contraído a doença. Porém, no ano passado, a faixa etária foi responsável por 1% dos casos com câncer de próstata.

A pesquisa também demonstrou que a incidência do câncer entre os maiores de 55 anos caiu. O médico, no entanto, não divulgou números absolutos de pacientes investigados. "Primeiro, o câncer acometia somente homens com 50 anos ou mais. Depois, passou a atingir pessoas na faixa dos 40 anos. Porém, nos últimos cinco anos, tivemos, pelo menos, dois casos de homens com menos de 40 anos com a doença em Minas", destacou.

Segundo o urologista, neste ano, um homem de 34 anos foi diagnosticado com a doença na cidade de Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte. Há cinco anos, o médico também atendeu outro mineiro, de 38 anos, com o câncer de próstata.

Álvaro Luiz de Morais explicou que há vários fatores que estão levando os homens a desenvolverem a doença cada vez mais cedo. Segundo ele, a maioria dos pacientes com menos de 50 anos é de classe média alta e tem um cargo ou tipo estressante de trabalho. "Muitas vezes, esses casos estão diretamente ligados ao estresse, à depressão, à má alimentação, ao sedentarismo e à obesidade", explicou.

A oncologista e coordenadora do Centro de Especialidades Médicas da Santa Casa de Belo Horizonte, Maria Nunes, explicou que a precocidade também se deve ao histórico familiar. "Se um parente próximo tem a doença, como um pai, irmão ou tio, a chance de um homem mais jovem ter a doença é seis vezes maior que de uma pessoa que não tem esse histórico. É uma questão de genética", explicou a oncologista.

Porém, o caso registrado em Caeté não tinha nenhuma dessas características. "Foi uma raridade. Ele é magro, trabalhador, não fumante e não tinha nenhum histórico da doença na família. Nós descobrimos o câncer dele em um estágio bem avançado, mas foi possível operá-lo, e ele está bem", relatou Morais.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a expectativa é de que, neste ano, 8.845 homens desenvolvam o câncer de próstata em Minas. Não há balanço com os números de casos e óbitos no ano passado.



 

Toque
Preconceito ainda atrasa diagnóstico
O preconceito dos homens em fazer o exame de toque, que identifica o câncer de próstata, é uma das principais dificuldades no combate da doença. No Brasil, no ano passado, cerca de 60.180 homens tiveram a doença, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Segundo o urologista paulista Mário Alves, muitos homens descobrem o câncer em um estágio mais avançado da doença por que não fizeram o exame. "Eles só procuram o médico quando começam a sentir dor para urinar ou identificam sangue na urina", disse o urologista.

Esse foi o caso do vendedor de 52 anos, que preferiu anonimato. "Eu não fiz o exame por preconceito. Quando fui ao médico, o câncer já estava bem avançado. Agora, estou arrependido", contou. (NO)
 
 
 
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