Quinta, 23 de Julho de 2026
16°C 31°C
Paracatu, MG
Publicidade

Estado garante atenção assistencial especializada aos acometidos pela hanseníase

Lançamento de guia integra ações de cuidados especializados que reforçam compromisso do governo em assegurar direitos de pacientes segregados nas ex-colônias 

Por: Da Redação Fonte: Secom Minas Gerais
07/07/2021 às 18h15

Com o objetivo de delinear e padronizar a assistência nas casas de saúde que administra, a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) lançou em evento on-line, nesta quinta-feira (7/7), o Guia Assistencial de Atendimento nas Casas de Saúde às Pessoas Acometidas pela Hanseníase.

Continua após a publicidade

A publicação traz as principais orientações aos usuários que têm acesso aos cuidados disponibilizados pelas unidades Santa Izabel (Betim), São Francisco de Assis (Bambuí), Padre Damião (Ubá) e Santa Fé (Três Corações).  

O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, destacou a importância do  trabalho que começou quando estava na presidência da Fhemig, há dois anos. Segundo ele, o cuidado voltado para as pessoas acometidas pela hanseníase foi uma das prioridades e busca diferenciar o olhar direcionado para casas de saúde especializadas. "Resgatamos um dos pilares da criação da Fhemig, que uniu três fundações já existentes, entre elas a Fundação Estadual de Assistência Leprocomial (Feal). Dessa forma, também reconhecemos a história de pessoas que sofreram muito na época das internações compulsórias. O Governo de Minase a Fhemig reafirmam seu compromisso com essas pessoas, validando hoje a construção de uma assistência homogênea e que deixará um legado valioso, garantindo uma linha de cuidado a todos que estão vinculados às casas de saúde”, afirma.

Continua após a publicidade

Transparência 

A transparência das informações do guia foi destacada pela presidente da Fhemig, Renata Dias. “O acesso simples e prático a um material informativo proporciona segurança aos usuários, por meio do conhecimento de seus direitos, deveres e dos serviços a que têm acesso garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os cuidados incluem um rol de serviços padronizados, mas, ao mesmo tempo, colocados em prática de forma personalizada, respeitando-se a individualidade dos casos e necessidades específicas”.

Representando os diretores das casas de saúde, Claudinei Emídio Campos, da Casa de Saúde Padre Damião, celebrou o momento. Segundo ele, a padronização da assistência é fundamental para quem está presente no cotidiano das unidades. “O compromisso do Estado tem um valor inestimável para os pacientes que foram internados compulsoriamente e que, hoje, necessitam de cuidados integrados, que lhes permitam acesso aos tratamentos e reinserção social”, avalia. 

Também participaram do evento o secretário adjunto de Saúde, André dos Anjos; a chefe de gabinete da Fhemig, Fernanda Paes; o vice-prefeito de Ubá, Antônio Carlos Jacob; a diretora da Casa de Saúde Santa Izabel, Eliane Magalhães; a diretora da Casa de Saúde São Francisco de Assis, Vanessa Silveira; o gerente assistencial da Casa de Saúde Santa Fé, Luíz Antônio Moreira, representando o diretor da unidade, Roberto Corrêa; diretores da Administração Central, representantes do Conselho Estadual de Saúde, do Movimento de Reintegração de Pessoas Afligidas pela Hanseníase (Morhan) e usuários. 

Atendimento individualizado

O guia informa os princípios do SUS que norteiam os direitos dos usuários e os deveres do Estado para a garantia da assistência. 

Também são demonstradas as necessidades dessas pessoas e como são traçados os planos individuais de atendimento, de forma multiprofissional e interdisciplinar.

A linha de cuidado já é uma realidade nas casas de saúde da Rede Fhemig. A mudança é que, anteriormente, era executada isoladamente por cada unidade. Agora, passa a ser padronizada. 

Essa assistência foi elaborada a partir das diretrizes do Ministério da Saúde no que diz respeito à saúde do idoso e da pessoa com deficiência, vigilância epidemiológica e tratamento da hanseníase. 

Para cada paciente é elaborado um plano individual, em ações que buscam a autonomia e independência individual. O direcionamento é para que a pessoa seja capaz de gerir a própria vida a partir de comandos e tomadas de decisões, e de realizar atividades de autocuidado.

“Começamos a trabalhar em um projeto estratégico que valorizasse a linha de cuidado voltada para a hanseníase. Para tanto, uma vasta pesquisa foi realizada a fim de validar as bases legais e os preceitos do SUS, adequando-os aos serviços pactuados e viáveis dentro da nossa realidade. Priorizamos as necessidades de nossos pacientes a todo momento”, explica Fabrício Giarola Oliveira, ex-diretor da Casa de Saúde Santa Izabel e atual diretor do Complexo Hospitalar de Urgência da Fhemig.

Pacientes

São identificados como usuários da linha de cuidados aqueles pacientes que foram internados nas antigas colônias em decorrência da hanseníase e hoje são institucionalizados em leitos de cuidados prolongados, lares inclusivos, enfermarias, pavilhões ou domicílios nas áreas das atuais casas de saúde.

Também foram incluídos os filhos segregados de pais, submetidos à mesma política de isolamento compulsório – implantada na década de 20 no Brasil e que perdurou por várias gerações até a erradicação da doença e a consequente revisão sanitária. As ex-colônias mineiras datam das décadas de 1930 e 1940.

Em 2006, quando já se considerava a hanseníase praticamente erradicada devido aos avanços da poliquimioterapia, a Fhemig realizou o I Seminário das ex-colônias de Hanseníase, em Três Corações, para apresentar a proposta de reforma do perfil assistencial que se concretizou na criação do Complexo de Reabilitação e Cuidado ao Idoso.

Hoje, as Casas de Saúde disponibilizam atendimento médico e reabilitação às pessoas acometidas pela hanseníase atendidas nessas unidades, e retaguarda em cuidados prolongados às redes de atenção à saúde em suas respectivas regiões.

Legislação

Ao longo dos anos, várias leis foram sancionadas de forma a garantir os direitos dos pacientes e de seus filhos que foram submetidos às políticas sanitárias de isolamento social por serem associados ao estigma da hanseníase. 

Em 2017, foi criado em Minas Gerais um incentivo financeiro e regulamentado o cuidado integral aos moradores das ex-colônias.  Desde então, as unidades passaram a prestar o serviço assistencial de forma ambulatorial.

O reconhecimento do Estado e a definição dos benefícios se efetivou em março deste ano, quando o governo começou a pagar a indenização prevista na Lei Estadual nº 23.137, de 10 de dezembro de 2018, aos filhos segregados pela antiga política sanitária.

A Fhemig possui a responsabilidade de oferecer aos pacientes sob cuidados nas casas de saúde serviços como reabilitação realizada por equipe multidisciplinar, assistência domiciliar, Centro de Tratamento de Lesões e Ambulatório de Especialidades, além de transporte, lavanderia e higienização de ambientes - de acordo com as necessidades de cada um.

Histórico

A política sanitária da hanseníase foi implantada no Brasil em 31/10/1923, quando foram criadas as colônias agrícolas, sanatórios, hospitais e asilos onde as pessoas diagnosticadas com essa doença deveriam ser compulsoriamente internadas, isolando-as dos centros populacionais.

Em Minas Gerais, foram criados cinco sanatórios nas décadas de 1930 e 1940: Santa Izabel, Padre Damião, São Francisco, Santa Fé e Cristiano Machado. Além dos pavilhões e das estruturas voltadas aos pacientes, diversas comunidades e bairros se estabeleceram ao redor dessas áreas hospitalares.

Os sanatórios eram administrados pela Fundação Estadual de Assistência Leprocomial (Feal) que, em 1977, foi incorporada à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais – que ainda uniu as fundações estaduais de Assistência Médica e de Urgência (Feamur) e a Educacional e de Assistência Psiquiátrica (Feap).

A mudança de nomes de sanatórios e colônias para casas de saúde se deu a partir de 2006, quando foram investidos recursos para o redirecionamento da assistência especializada em cuidados prolongados e reabilitação. 

As casas de saúde mantiveram os lares inclusivos, promovendo a atenção domiciliar e o cuidado integral aos moradores institucionalizados que apresentam fragilidades funcionais, trazendo benefícios ao seu tratamento e a inserção ao convívio social.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.