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06/01/2016, 15:17:46
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Bomba possivelmente testada pela Coreia do Norte é a arma nuclear mais poderosa já criada
A Coreia do Norte afirmou que fez um teste bem-sucedido com uma miniatura de bomba de hidrogênio, mais conhecida como bomba H.

Se confirmado, o anúncio significa que o país agora tem uma arma que, segundo o cientista Matthias Grosse Perdekamp, que dá aulas sobre o controle de armamentos nucleares da Universidade de Illinois, nos EUA, é a mais poderosa do planeta.

O governo anunciou o teste na TV estatal norte-coreana. O anúncio veio depois de o Serviço Geológico dos Estados Unidos ter detectado uma atividade sísmica fora do comum no nordeste da Coreia do Norte.

O tremor, de magnitude 5,1, foi detectado às 10h00 locais (23h30 de terça-feira em Brasília) a cerca de 50 km da cidade de Kilju, perto da área de testes nucleares de Punggye-ri.

Segundo especialistas, o tremor não teria sido provocado por causas naturais.

Este seria o quarto teste nuclear do país desde 2006 - mas o primeiro com a bomba de hidrogênio, mais poderosa que a bomba atômica.

Quando o país anunciou que possuía a tecnologia, muitos especialistas duvidaram da capacidade do país para tal.

A confirmação do teste por fontes independentes pode levar duas ou até semanas.

Potencial

AP

Kin Jong-un anunciou no final do ano passado que Coreia do Norte desenvolveu a temida Bomba H

Até hoje, nenhuma explosão superou a potência da "Bomba-Czar", uma bomba de hidrogênio de 50 megatons (o equivalente a 50 milhões de toneladas de dinamite) detonada durante um teste do governo soviético em outubro de 1961.

Essa bomba, por sinal, era 3 mil vezes mais poderosa que a lançada sobre Hiroshima em agosto de 1945, a primeira vez que uma arma nuclear foi usada em situação de conflito.

A "Little Boy" "(Pequeno Garoto", em tradução literal), como foi batizada a bomba que devastou a cidade japonesa, teve sua energia destrutiva gerada pela fissão de átomos de urânio ou plutônio.

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Getty

Bomba tem potencial de destruição equivalente ao de dezenas de milhões de t de dinamite

As bombas de hidrogênio, porém, funcionam seguindo um processo de fusão nuclear, oposto ao da bomba de fissão: em vez de partir ou quebrar, diversos átomos - nesse caso, os de isótopos do hidrogênio deutério e trítio - se juntam formando núcleos maiores antes de explodir.

"A potência que pode ser alcançada com a fusão nuclear basicamente não tem limites", diz Perdekamp à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC.

O especialista, porém, explica que esse processo é extremamente complexo - e que, por isso, havia um certo ceticismo quanto à capacidade norte-coreana de desenvolver uma bomba H.

Apresentadora fez anúncio surpresa de teste em TV norte-coreana

A primeira explosão nuclear se encarrega de gerar a elevadíssima temperatura necessária para que os isótopos de hidrogênio se fundam, o que explica porque a bomba H também é chamada de termonuclear.

A potência final é determinada pelo volume de hidrogênio, mais precisamente seus dois isótopos radioativos, o deutério e o trítio.

"A energia nuclear liberada na fusão tem a mesma origem que a energia que sustenta a vida na Terra: o Sol", explica Perdekamp.

No caso da bomba de hidrogênio, porém, o objetivo é apenas a destruição.

Reações

Após o anúncio da Coreia do Norte, houve forte reação de outros países.

A Coreia do Sul disse que o teste é um sério desafio para a paz global e uma violação de resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Leia também: Cinco perguntas sobre as restrições às armas anunciadas por Obama

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, chamou o suposto teste de "ameaça à segurança do Japão".

Os Estados Unidos pediram que a Coreia do Norte respeitasse seus compromissos e obrigações internacionais e disse que iria responder às provocações.

Para John Nilsson-Wright, do programa de Ásia do centro de estudos Chatham House, o teste indica que Pyongyang continua investindo em seu programa nuclear sem dar importância aos significativos custos políticos e diplomáticos da empreitada.

Após testes anteriores, a comunidade internacional respondeu com sanções políticas e econômicas.

BBC BRASIL